Para decodificar a fotografia de Pedro David, é necessário seguir pistas e se deixar guiar.
Pedro se define como um artista dedicado a interpretar a relação entre o homem e seu ambiente, através de diferentes aspectos da fotografia.
Eu prefiro defini-lo como um pesquisador andarilho, alguém que sai de manhã procurando sinais. Ele percorre os quatro cantos de seu bairro, equipado com uma câmera de grande formato (com placas de 10 x 15 cm) tentando entender a expansão da cidade além de seus limites. Assim, ele reinventa a sua arqueologia.
Pedro David traça sua história e sua lógica com a ajuda de imagens das terras pelas quais passa. Ele seleciona, observa com método, com um olhar quase científico, mas sem deixar para trás sua alma e sua poesia.
Ele tem uma inteligência cartográfica visual. E isso aparece em seu trabalho.
Eu raramente conheci um artista com essa capacidade de editar com precisão suas próprias imagens. Nada está faltando, nada excede.
Quando vi pela primeira vez a série « Madeira de Lei », essas árvores presas na floresta de eucalipto, a asfixia de um mundo e seus problemas contemporâneos me deixaram sem fôlego.
Mas Pedro David respira, desenvolve seu pensamento e nos oferece toda a leitura do que viu, o que mais o tocou.
Quando ele procura um apartamento, encontra uma estética, uma história própria. Em seu retorno, ele deixa sua realidade na forma de vazio, um vazio rico de sentidos.

Tudo isso se tornará livros, exposições, prêmios, arte. E assim seu trabalho consegue existir como um território fotográfico único, capaz de denunciar todos aqueles que se expropriam do que não lhes pertence .
Pedro David sabe que quem fotografa em sua casa ganha o mundo e realiza seu destino.